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1. Uma carta aberta.

 

Gostaria de deixar explícito nesta secção do documento, a real intenção por detrás da minha candidatura ao mais alto cargo da Magistratura Guineense. 

 

Trata-se indiscutivelmente, de uma candidatura de intervenção social, tendo como base, uma forte componente espiritual.

 

Poder-se-á interrogar sobre o seguinte:

 

Qual é a relação existente entre intervir para a mudança e a componente espiritual?

 

Existe uma relação entre ambas.

 

A espiritualidade, quando utilizada de forma sábia, permite analisar com maior profundidade aspectos que passam, na maioria das vezes, despercebidos aos olhos de todos mas que agem como praga na sociedade, destruindo os pilares que sustentam a relação humana e criam fossos de difícil reparação no tecido social.

 

Por conseguinte, se essa praga não for detectada e dizimada, por mais que um país queira alcançar o chamado “patamar do desenvolvimento”, será de todo impossível.

 

É o que está a acontecer com a nossa Guiné.

 

A vertente espiritual (bem patente na cultura guineense), permitiu-me há muitos anos, fazer um diagnóstico sobre o que levou a

Guiné-Bissau a “mergulhar-se no abismo” e mesmo tendo apoios provenientes de países parceiros de desenvolvimento, continua a figurar na lista das nações mais pobres.

 

Esse diagnóstico centra-se em dois aspetos:

 

1) Ódio / Morte.

2) Egocentrismo / Indiferença.

 

Ódio / Morte.

 

O ódio proveniente de conflitos pessoais e a inveja têm um impacto negativo no campo organizacional. São sentimentos que, se não for reconhecida a força de ambos no conjunto do consciente e inconsciente organizacional, pode levar à improdutividade e por fim, a cenários destrutivos.

 

O solo da Guiné-Bissau tem absorvido durante anos, sangue de inocentes, nossos irmãos, por motivo de ódio exacerbante.

 

Habituou-se a dizer e agir da seguinte forma:

 

“É um obstáculo no meu caminho, portanto, destruirei o bem mais precioso que possui – a Vida.” 

 

Mata-se, destrói-se a família que é o pilar da sociedade, consequentemente, o futuro da nação fica hipotecado.

 

            Essa é a atual Guiné-Bissau. 

 

Egocentrismo / Indiferença.

 

Existem grupos de guineenses que ocupando lugares estratégicos na nossa sociedade, deixaram que o coração se endurecesse, fruto de idolatrarem bens materiais que proporcionam uma alegria efémera. Essa posição adotada, fez com que os interesses do coletivo fossem suplantados pela vontade individual de cada um dos seus membros e pelos princípios obscuros que esses grupos defendem.

 

Nação Guineense Vs. Mulher

 

Escolhendo como exemplo, o domínio da saúde (entre vários outros problemas a apontar). Em pleno Século XXI, o país não consegue oferecer um adequado Sistema de Saúde às grávidas e aos recém-nascidos – Nível Considerável de Mortalidade Materno-infantil.

Nação Guineense Vs. Jovens

 

A juventude é considerada a força motriz de um país. Os nossos jovens no entanto, têm assistido ao desaparecimento das suas ambições sem poderem agir – Elevada Taxa de Desemprego, Inexistência de Incentivo à Progressão Pessoal e Profissional e um Sistema de Ensino Deficitário.

 

Nação Guineense Vs. Pessoas Idosas e Pessoas com Deficiência

 

Está-se perante o grupo esquecido da nossa sociedade.  Existe uma grande lacuna em termos de políticas sociais, destinadas aos mais vulneráveis.

 

Nação Guineense Vs. Força de Defesa e Segurança

 

A nossa Força de Defesa e Segurança é mais uma vítima de egoísmo e indiferença que se regista no nosso país. Vive de constantes e ensurdecedoras promessas, mas pouca concretização do que se promete. 

 

A deficitária segurança das nossas fronteiras e dos nossos bairros chama pela atenção dos líderes guineenses, a fim de se debruçarem seriamente sobre a melhoria das condições de vida dos nossos efetivos de Defesa e Segurança.

 

Tendo em conta este breve mas profundo diagnóstico, os meus irmãos guineenses poderão entender o motivo de ter decidido deixar a “plateia” e subir ao “palco”, para gritar fervorosamente um BASTA com AÇÃO!

 

Chegou a hora de adotar uma forte postura de intervenção, para a mudança da terra que me deu a identidade que orgulhosamente tenho apregoado. 

 

Conhecendo a nossa realidade, o cargo de Presidente da República é o mais adequado para debruçar seriamente sobre a gritante instabilidade do país e, juntamente com um governo idóneo e responsável, a Assembleia da República e demais entidades, velar pela correta implementação de políticas sociais, com a finalidade de retirar a Guiné-Bissau da lista de países com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

 

2. Os princípios que defendo como candidata à Presidente da República da Guiné-Bissau.

 

Sou a voz da:

 

  • Estabilidade (primando o perdão e a reconciliação nacional).

  • Coesão (baseada na valorização da nossa identidade cultural).

  • Inclusão (considerar todos os guineenses, independentemente da proveniência étnica, tonalidade da pele, condição física, faixa etária, religião, como atores necessários para a reconstrução da Guiné-Bissau).

 

Defendo os Direitos Humanos Universais, a submissão às leis que regem a nação (a Constituição da República), a disciplina e seriedade no trabalho, uma sociedade equitativa, o progresso e o desenvolvimento sustentável.

 

Os valores familiares e Cristãos estão na base da formação da minha personalidade, ou seja, formei-me não apenas com conhecimentos académicos, mas espirituais muito sólidos. Nesta ótica, é de Deus e da família que a minha história começa como Ativista.

 

Sou uma Interventora Social e Socióloga com identidade guineense fortemente vincada. Isso significa que repúdio com veemência, a injustiça e a cultura de medo e repressão que se instalou há mais de 40 anos nas ruas da Guiné-Bissau, provenientes dos corredores da governação.

 

Faço parte do grupo de Interventores Sociais que defendem uma liderança ao serviço do coletivo. Que traduzido significa:

 

- O líder que desenvolve uma forte intimidade com o povo e que coloca os interesses do coletivo no topo da pirâmide e os interesses individuais, na base da mesma.

 

- O líder que não omite a responsabilidade de gerir com amor e respeito ao próximo, ouvir, instruir e corrigir.

 

- O líder que não goza dos privilégios que a posição lhe confere, mas que lidera com integridade, honestidade e confiabilidade, cumprindo o papel de pacificador e reconciliador.

 

No caso dos guineenses pretenderem, após anos de sofrimento, ver nascer uma nova Guiné-Bissau, podem acreditar que sou a candidata com o perfil do líder descrito nos parágrafos anteriores.

 

A pessoa ideal que o país precisa para incentivar o diálogo social, combater o medo, o sistema hipócrita e opressor que têm amordaçado o povo.

 

A minha candidatura não está desenhada para ferir suscetibilidades, mas para incentivar a nação a refletir. Gostaria que compreendessem que por mais difícil que possa ser essa reflexão, é um exercício coletivo necessário, para que a Guiné-Bissau se erga e volte a ser o país de todos os guineenses.

 

Por conseguinte, a reflexão que deixo nesta página do documento traduz-se nas seguintes questões:

 

1) Quem somos?

2) O que fizemos?

3) O que deveríamos ter feito?

4) O que pretendemos?

5) Como fazer?

 

3. A escolha de uma mulher para ocupar o mais alto cargo da Magistratura Guineense.

 

Antes de mais, é importante frisar, com clareza, o seguinte:

 

Escolher uma mulher para ocupar o cargo de Presidente da República de um país porque na atualidade se está a discutir a igualdade de género na arena da liderança é sem dúvida, um enorme desafio. Concordo inteiramente com o "Art.º 8.º da Convenção das Nações Unidas sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a Mulher.”

 

No entanto, estar na linha de frente da liderança de uma nação, significa tanto para o homem como para a mulher, ser espiritualmente forte, intelectualmente capaz e possuidor de um carácter íntegro.

 

Outrossim, significa que o/a líder deve ter uma visão ampla do todo que o/a circunda, diferenciando necessidades e interesses do povo, acolhendo, nutrindo, respeitando, direcionando, ensinando, com base na inteligência racional e emocional. É importante ter sempre em conta que  liderança implica o uso adequado das competências de carácter emocional e racional.

 

Liderar uma sociedade significa criar uma relação de confiança com todos os atores, ter uma postura centrada num pilar ético inabalável e uma grande capacidade organizativa.

 

Quando um líder adota e segue uma tão promissora liderança, indiscutivelmente os resultados são coroados de sucesso.

 

Em relação à liderança pelo sexo feminino, o homem e a mulher, são seres diferentes, feitos para se completarem um ao outro. Por conseguinte, a mulher na liderança deve ser autêntica, não abandonar a figura feminina para incorporar a masculina, focada em técnicas de controlo, com pouca ou nenhuma atenção para a individualidade do Ser Humano.

 

A mulher, pela sua natureza, valoriza tanto a vertente racional como a emocional, o que lhe permite ter uma ampla perceção da realidade que a circunda, podendo inspirar pessoas e trabalhar no sentido de aumentar a autoestima da nação.

 

A mulher líder, que faz uso dessas características inatas, tem maior probabilidade de criar gerações de líderes, com uma forte responsabilidade social.  

 

No caso da minha pessoa, o meu carácter foi formado por uma família que defende arduamente os princípios de justiça e amor ao próximo.

 

Foram esses ideais que me levaram a enveredar para o serviço de voluntariado, há mais de 25 anos em várias organizações (ver o perfil da candidata), com a finalidade de dividir, sem esperar nada em troca, as bênçãos que recebo de Deus com os menos favorecidos da sociedade e ser a voz dos socialmente injustiçados.

 

O meu carácter idóneo, fruto dos valores éticos inquestionáveis, a sabedoria e capacidade de análise, adquiridas no percurso profissional e académico, a maturidade e a forte vertente espiritual que é o meu vetor de equilíbrio entre o racional e o emocional, fazem de mim, sem margem para dúvida, uma pessoa com condições necessárias para ocupar o cargo de Presidente da República da Guiné-Bissau.

 

Digo mais, reúno todas as condições para, em parceria com todas as forças vivas do país, derrubar o muro invisível que há mais de 40 anos tem obstruído o caminho do progresso, rumo ao desenvolvimento sustentável do país.

 

Tendo em conta o exposto, guineenses, aconselho-vos humildemente: escolham uma líder com as minhas características. Posso garantir que o resultado positivo do trabalho árduo estará à vista do povo.

 

4. O meu compromisso com a Guiné-Bissau.

 

Em 2013, na cerimónia de tomada de posse como Diretora de Gabinete do então Ministro da Defesa, jurei “servir a Nação.” Por esse motivo, a minha pessoa acumula uma responsabilidade acrescida, não apenas como cidadã, mas de uma cidadã que jurou prestar serviço ao país e contribuir para a “defesa da Constituição e das leis.”

 

O meu compromisso com o Estado Guineense é grande e será ainda maior, ao ocupar o cargo de Presidente da República. Por esse motivo, deverá ser uma obrigação trabalhar afincadamente, priorizando as seguintes áreas:

 

  • Paz e Estabilidade.

  • Valorização da nossa Identidade Cultural para estabelecer a coesão nacional.

  • Saúde.

  • Educação.

  • Mulher.

  • Família.

  • Juventude.

  • Pessoas com Deficiência.

  • Reforma e Modernização do Setor da Defesa e Segurança.

  • Reforma e Modernização do Setor de Justiça.

  • Organizações Não-Governamentais.

  • Organizações Religiosas.

  • Crescimento Económico.

  • Infra-Estruturas.

  • Relações Internacionais.

"Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. (...); defenda os direitos dos pobres e dos necessitados" (Provérbios 31:8-9).

Preâmbulo

Nancy Schwarz

A Caminho das Presidenciais

de 2019